Por Ricardo Nunes Borga

“Tudo que você não controla, controla você”

O medo é sem sombra de dúvida o maior inimigo no sucesso de uma carreira, mais ainda o medo de perder tudo o que já foi conquistado.

GST MEDO 1É muito comum quando iniciamos que almejemos maiores desafios e sejamos mais audaciosos na elaboração de nossos projetos para, com isso, demonstrar nosso valor e em consequência conquistar nosso espaço, mas assim que vamos conquistando vitórias, alcançando sucesso e um reconhecimento na profissão, isso se torna temerário. Quando acumulamos uma vida cheia de sucessos nos iludimos com a nossa impossibilidade de errar na tentativa de não macular nosso “currículo de acertos”.

É exatamente nesse momento onde estacionamos nossas carreiras. A obrigação de cuidar desse “patrimônio” nos coloca na defensiva e compromete nossas reais possibilidades futuras. O futebol é um grande exemplo, quando times que se preocupam somente em defender-se e em “administrar a vantagem” em muitos casos perdem os jogos frente aos times que “não tendo nada a perder”, partem com tudo para o ataque.

No planejamento estratégico de carreira se faz necessário contemplar as questões do seu desenvolvimento emocional, da sua evolução em termos da administração de si mesmo, de sua personalidade e temperamento. 

Costumamos dizer: _Sua carreira é você! 

Superando obstáculos e desafios e, antes de tudo, superando a você mesmo. Não se lembrar disso faz você se esconder, a se tornar low profile e, com isso, diminuir as suas reais possibilidades de crescimento. 

A mais particular característica do medo é: aumentar no momento em que você quer disfarçá-lo e só desaparecer quando você desenvolver uma disciplina de enfrentamento contínuo por um período de tempo razoável. 

Para os próximos cinco anos realizar em termos de: 

  • Produtividade e trabalho com prazer;
  • Desenvolver ao máximo suas habilidades e competências;
  • Equilíbrio emocional compartilhado. 

Em cada um destes itens você terá particulares tipos de medo:

  • O medo da rotina, do tédio, da produtividade decrescente.
  • O medo das suas limitações pessoais, até onde vai sua a competência.
  • O medo de ser feliz ou perder quem você ama.

Lembre-se do que dissemos, “tudo que você não controla, controla você”.

Se você pensar mais na carreira do que em “você na carreira”, poderá perder-se totalmente. 
Admita, conheça e enfrente. Fazendo isso você conseguirá administrar seus medos. 
Mesmo sendo uma tarefa pessoal, você não poderá realizá-la sozinho. Ernest Hemingway disse, “nenhum homem é uma ilha”. Sendo assim peça ajuda, ouça críticas e feedbacks. Mire-se nas pessoas com quem você se relaciona que com isso sua imagem só terá a ganhar. 
Sucesso é um esporte coletivo, você não poderá alcançá-lo sozinho e mesmo que pudesse seria muito solitário, insuportável e insustentável. 

Se decepcionar com pessoas certamente vai acontecer, assim como algumas pessoas também irão se decepcionar com você, é normal, aceite. Nós somos pessoas reais e o mundo que gira ao nosso redor é cheio de expectativa, repleto de desafios e imperfeições que temos que enfrentar. Tenha medo! É natural! Mas administre seu medo para que ele não controle você.

Você é o responsável por administrar sua vida. Faça sua estratégia!

Um dos nossos maiores ídolos disse:

“O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras – acho que estou entre elas – aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação.”(Ayrton Senna)

Para descobrir de onde vêm os medos explore ao máximo sua própria história principalmente do período em que foi criança, onde você tem a maior predominância do poder dos pais ou por que tenha tido algumas experiências de alguma maneira traumáticas. “Ter medo é um aprendizado. A criança pequena não teme nada. Ela aprende com os pais, ou na prática, que não pode botar a mão no fogo.” 

O medo existe desde que o mundo é mundo. Ele também existe entre os animais em sinal de respeito uns para com os outros e conosco, seres humanos, não podia ser diferente, pois a presença do medo aparece antes mesmo de nascermos e permanece em todos os momentos de nossas vidas.

Na área profissional ainda mais, onde precisamos do trabalho para o nosso sustento e sobrevivência. Por trás de um medo aparentemente banal podem estar problemas mais graves.
Roberto Shinyashiki, psiquiatra brasileiro, famoso autor de livros de autoajuda, diz:

“Sabe aquela história de deixar de viver um grande amor por puro medo de não ser correspondida? Ou então de não realizar o sonho de conhecer outro país por pânico de avião? O mesmo acontece na vida profissional”.

Se teme tanto o que pode acontecer que você trava sua carreira, se auto sabota. O medo é a palavra de ordem no mundo de hoje. Medo de perder o emprego, ser rejeitado pela equipe, não dar conta das metas, ser criticado, etc….

Grande quantidade de pessoas vive assim transforma isso num estilo de vida. Por essa razão, um fato curioso é percebido: criamos um preconceito, mesmo que o medo exista ou não.
A esposa imagina o marido fiel, como o pior dos adúlteros. Um dirigente interpreta que o interesse do funcionário em participar de um congresso, como a intenção de procurar um novo emprego, ou até mesmo de que queira tomar o seu lugar.

“o pavor faz com que interpretamos fatos simples como se fossem inimigos monumentais, capazes de arruinar nossos planos.

Indico para leitura o livro: “A coragem de confiar – o medo é seu pior inimigo”, que explora bastante o assunto. Temo que a insegurança seja uma das piores doenças da humanidade. Existe o temor saudável, que nos mostra cautela e proteção, mas sem impedir que tomemos a iniciativa de andar para frente. 

Uma funcionária competente, que se esconde e quando um fornecedor atrasa, ela não se manifesta e prefere se calar para se preservar. Ela pode até ser talentosa, mas limita sua carreira, pois não acredita em si mesma.

A insegurança transforma o mais competente no mais incompetente. E ainda pior: essa é a imagem que fica para a empresa e para o cliente.

É difícil mudar um comportamento enraizado, mas é possível observar se você destrói suas chances por de confiança nas suas atitudes e até mesmo nos outros.

Transforme seus problemas em desafios e não em grandes impedimentos. Devemos perceber o trabalho como uma oportunidade constante de atingir seu objetivo. Tire uma lição dos otimistas: valorize suas ações e não procure desculpas para o não deu certo.

Michael Jordam, um dos maiores jogadores da história do basquete, disse:

“não acertei muitos arremessos, perdi dezenas de jogos, mas a coragem de errar me levou até o sucesso”.

Mantenha a insegurança, no máximo, como uma placa na estrada, sinalizando um perigo à frente e não a leve como companheira de sua viagem.

Tenha em mente cinco sugestões para ajuda-lo a vencer o medo em seu ambiente de trabalho

1.Entenda elogios e críticas como naturais

O seu valor aderido a sua natureza, nada nem ninguém pode tirar. O que disser, pensar ou as decisões que tomar, tem valor porque vêm de você

2.Só os resultados interessam 

Sinais de que as coisas não estão saindo como você deseja, não significa fracasso. Mude a estratégia.

3.Todos somos imperfeitos

Não existe um ser humano perfeito. Todos nós temos defeitos e às vezes não nos damos conta disso. Não digo que temos o direito de sermos irresponsáveis, mas que é válido nos permitirmos uma margem de erro.

4.Use sua capacidade e aprender a escolher a melhor maneira

Avalie suas experiências e não repita o que não deu resultado. Cada vez que errar assimile como conhecimentos, hábitos e habilidades que serão importantes para cumprir melhor outra tarefa. Aos poucos você se tornará uma pessoa cheia de sabedoria, e poderá tomar decisões mais centradas e sensatas.

5.Apoie-se em pessoas que lhe ajudem em momentos confusos

Peça opinião, dentro ou fora da empresa, sobre e o que poderia melhorar, a pessoas equilibradas e objetivas.

Embora muitas pessoas acreditem, segundo o Professor, Luis Marins, administrar pelo medo nunca funcionou, mas mesmo assim, e por incrível que possa parecer, ainda há patrões, diretores, gerente, supervisores que optam por essa forma gerência.

Uma organização que utiliza esse modelo de gerência, onde se impõe o medo, não vai obter sucesso, por inúmeras razões:

  • Quem tem medo tenta, não cria, não inova, pois o medo não as permite inovar.
  • Uma empresa gerenciada pelo medo perde seus talentos, pois pessoas competentes, não aceitam trabalhar nesse modelo. A gerência pelo medo cultivará profissionais com baixa autoestima, que não conseguem encontrar outro lugar melhor para trabalhar.
  • Com isso, essas organizações, não conseguem reter nem atrair talentos. Ninguém se dispõe a trabalhar num lugar onde o medo impera e assim, se torna impossível vencer num mercado competitivo.
  • Numa empresa gerenciada pelo medo, as pessoas tendem a esconder os problemas. 

São organizações onde se bajula e só se diz “sim” por medo da punição. Sem informações corretas, são tomadas, cada vez mais, decisões equivocadas criando um círculo vicioso do fracasso empresarial. 
É comum se confundir medo com respeito. O respeito é fundamental, mas não pode haver confusão entre os dois.

O gerenciamento pelo medo é comum em chefes que temem que seus subordinados, tendo mais liberdade de pensamento, percam o respeito. 

Dirigentes competentes não têm medo, pelo contrário, incentivam colaboradores criativos e inovadores e quando um funcionário confundir liberdade com falta de respeito deve ser chamado a reconhecer o seu erro e até ser punido, mas nada justifica gerenciar pelo medo de forma “preventiva”, é um erro injustificável.

Ao final concluímos que:

“O medo limita todos os objetivos profissionais, porque inibe e tira a vontade de vencer”.

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